Nas últimas semanas a região sudoeste tem sido protagonista de mobilizações de rua e protestos que chamam a atenção da sociedade. São jovens, mulheres, estudantes, sobretudo trabalhadoras e trabalhadores. As mobilizações tiveram como objetivo trazer a memória histórica do Brasil, do Paraná e do Sudoeste, demonstrando concretamente as mudanças econômicas e sociais, bem como pensar em propostas de futuro que possam elevar ainda mais as condições de vida  da população em seus diversos setores.

As mobilizações combinaram passeatas, assembleias nos locais de estudo, em praça pública, conversas nos bairros e atuação nas redes sociais. A defesa das liberdades acompanha reivindicações por condições para estudar, trabalhar com dignidade e ampliar a autonomia.

Após o primeiro turno, em 4 de outubro, manifestações estudantis se espalharam pelo país. Articulada pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), a campanha Estudantes com Lula alcançou centenas de universidades e o movimento ocupou as ruas do Brasil. Na região sudoeste estudantes do Instituto Federal do Paraná, da  Universidade Federal da Fronteira Sul, da Unioeste e da UTFPR também protagonizaram ações, demonstrando que um país que tem a educação como pilar de projeto de futuro, é um país que proporciona dignidade a sua população.                                   

Para Ademar Bogo, educador popular, poeta, militante e escritor, na atualidade brasileira, estamos vivendo um processo de contrademocratização, ou seja, a iminente negação dos direitos adquiridos. Isto porque, com a facilitação ao acesso às políticas públicas (por meio da implantação de sistemas unificados de assistência, como a saúde, educação, moradia, créditos, bolsas etc.), enfrenta os princípios neoliberais, ao impedir que esses serviços se tornem exclusivamente mercadorias. Além disso, a gradativa valorização do salário-mínimo, obrigou a pequena-burguesia empregadora e setores pouco modernizados a terem que arcar com os seus negócios, ano após ano, os reajustes salariais, inadmissíveis para os empregadores. Soma-se a isso, além do preconceito racial, a obrigação de assinar a carteira das empregadas domésticas e o fim da escala de trabalho 6×1.

As campanhas nas redes sociais demonstram essa ótica, da realidade da luta de classes no Brasil. Se por um lado  vivemos sem precedentes a maior manipulação midiática vivida até o momento, com fragmentação e segmentação de públicos (conhecida como bolhas), desinformação, mentiras e projetos de leis para que as empresas multinacionais de tecnologia (conhecidas como big techs) como Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft entre outras não terem regulação em seus serviços prestados, nós também estamos vendo uma grande onda nestas próprias redes digitais, uma disputa de assuntos importantes que se relacionam diretamente com a democracia.

Levantamento realizado pelo Fórum Nacional de Democratização da Comunicação aponta os desafios centrais da luta pela democratização da comunicação e pela construção de uma agenda digital comprometida com o interesse público.  Entre eles a questão da inteligência artificial, a violência de gênero, o direito das crianças e adolescentes, a soberania digital entre outras propostas de lei que podem contribuir para uma democracia mais sólida no Brasil.

Lutas que perpassam a democracia que queremos consolidar

A Assesoar que nasceu da luta pela democracia, já manifestou e difundiu diversas vezes seu posicionamento em defesa das liberdades democráticas, em defesa da educação e da democracia;

Para além, a Assesoar pelo seu trabalho histórico já demonstrou que o direito a moradia é central para que a população avance em sua dignidade de vida;

Também já demonstrou que o direito a alimentação é central para que toda e qualquer pessoa possa viver melhor;

Tem construído perspectivas de futuro para Juventude em diferentes dimensões;

Como também já construiu e realizou inúmeras ações de solidariedade em períodos onde a democracia foi atentada e corria riscos;

E também não esquece a profunda marca em relação a Pandemia que vivenciamos, no tema da preservação e soberania alimentar e na Educação Pública

Por toda sua luta histórica, do presente e o futuro que vemos em risco, assumimos o lado da democracia e da soberania

Texto: André de Souza Fedel.

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