No Dia Mundial da Alimentação, entidade destaca a necessidade de políticas públicas que garantam a soberania alimentar e o acesso a alimentos saudáveis.

Plantação de tomates agroecológicos na UPVF da família Basso, no município de Marmeleiro

Celebrado nesta sexta-feira, 16 de outubro, o Dia Mundial da Alimentação chama a atenção para os desafios do combate à fome e da garantia do acesso a alimentos saudáveis. A data, criada em referência à fundação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), é destacada pela Associação de Estudos, Orientação e Assistência Rural (Assesoar) como uma oportunidade para discutir a soberania alimentar, a sustentabilidade e a necessidade de mudanças nos sistemas de produção e distribuição de alimentos.

Segundo dados da FAO, cerca de 673 milhões de pessoas vivem em situação de fome no mundo. Ao mesmo tempo, o aumento da obesidade e o desperdício de alimentos evidenciam os desequilíbrios do sistema alimentar. Para a Assesoar, esse cenário reforça a importância da articulação entre diferentes setores da sociedade na defesa do direito humano à alimentação adequada e saudável.

No Brasil, apesar da extensão das áreas destinadas à produção agrícola, milhões de pessoas ainda convivem com diferentes formas de insegurança alimentar. Essa realidade expõe as desigualdades sociais e os desafios para garantir a segurança e a soberania alimentar da população.

Conflitos e mudanças climáticas

Os conflitos, os eventos climáticos extremos e a perda de biodiversidade também afetam a produção e a distribuição de alimentos, com consequências para a segurança alimentar dos países. No Brasil, a insegurança alimentar ocorre paralelamente ao aumento da obesidade e das doenças crônicas não transmissíveis.

A Assesoar aponta que essas questões estão relacionadas a um modelo de produção e consumo marcado pela desigualdade, pela concentração de recursos e pelos impactos ambientais. Entre as consequências estão o enfraquecimento das práticas alimentares tradicionais, a degradação dos territórios e os prejuízos à saúde coletiva.

Embora o Brasil tenha saído do Mapa da Fome em 2025, após a intensificação de políticas públicas do Governo Federal, a entidade considera necessário ampliar as ações voltadas à diversificação da produção, ao fortalecimento da agricultura familiar e à estruturação de sistemas produtivos que garantam a segurança e a soberania alimentar.

Agroecologia como alternativa

Entre as propostas defendidas pela Assesoar está a agroecologia, modelo que integra princípios ecológicos, conhecimentos científicos e organização social na produção de alimentos. A proposta busca enfrentar causas estruturais da fome, como a concentração de terras e de renda, além de fortalecer a agricultura familiar.

A diversificação da produção, com o cultivo de grãos, hortaliças e frutas, é apontada como um dos caminhos para ampliar a oferta de alimentos saudáveis e reduzir a dependência de sistemas produtivos baseados no uso de agrotóxicos.

Outro aspecto é a aproximação entre o campo e a cidade, por meio de iniciativas que conectem agricultores e consumidores, ampliem os canais de comercialização e contribuam para a geração de renda. Nesse processo, as políticas públicas são consideradas fundamentais para fortalecer a produção familiar e garantir o acesso da população aos alimentos.

A agroecologia também contempla práticas de conservação do solo, dos recursos hídricos e dos biomas, como parte das estratégias para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.

Desafios para ampliar a produção

Para a Assesoar, a consolidação desse modelo depende de políticas públicas que assegurem condições de produção e comercialização. Entre as medidas apontadas estão o acesso à terra, a ampliação do crédito, a assistência técnica e extensão rural (Ater) e a adequação de instrumentos como o Plano Safra.

A entidade também defende programas de redução do uso de agrotóxicos, a exemplo do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), além da criação de mecanismos que facilitem o acesso da classe trabalhadora a alimentos de qualidade.

A melhoria da renda da população e o fortalecimento dos canais diretos de comercialização, como as feiras, integram as propostas para aproximar produtores e consumidores.

Nesse contexto, a Assesoar defende que o enfrentamento da fome deve ir além do aumento da produção agrícola, com ações voltadas à distribuição de renda, à preservação ambiental e à garantia da soberania alimentar.

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