Visita reuniu cerca de 30 jovens em uma roda de conversa sobre agricultura familiar, organização coletiva e desafios da sucessão no campo.

Cerca de 30 estudantes do curso técnico em Cooperativismo do Instituto Federal do Paraná (IFPR), do Campus de Coronel Vivida, visitaram a Assesoar, em Francisco Beltrão, na terça-feira, 27 de outubro. A atividade integrou o projeto Juventude Cooperativista, organizado pela Cresol União em parceria com diferentes instituições, e teve como objetivo promover a troca de experiências sobre cooperativismo, agricultura familiar e participação da juventude no campo.
Os estudantes, provenientes de municípios do Sudoeste do Paraná, conheceram a história da Assesoar e participaram de uma roda de conversa mediada por Bárbara Camargo, secretária de Juventude da Unicafes-PR e da Fetraf-PR, e Wiltom Oliveira, associado da Assesoar e técnico da Cooperativa Codesafa.
A discussão começou com as percepções dos participantes sobre o significado de cooperar e avançou para a trajetória da juventude em cooperativas, sindicatos e coletivos. Também foram abordadas as conquistas da organização juvenil e as dificuldades relacionadas à sucessão na agricultura familiar.
A atividade faz parte de uma parceria mantida há mais de três anos entre a Assesoar, a Cresol e o IFPR, com ações voltadas à formação e à troca de conhecimentos entre as instituições.
Durante a visita, o presidente da Assesoar, Inácio Werle, apresentou aspectos da história da entidade e sua contribuição para o surgimento da Cresol. Ele relembrou as dificuldades de acesso ao crédito enfrentadas pelas famílias agricultoras e a criação de um sistema de crédito rotativo, com recursos obtidos por meio de parceiros internacionais, entre eles a Misereor.
Segundo Werle, os valores eram destinados às famílias para investimentos nas propriedades e, após a devolução, repassados a outros agricultores. O sistema contribuiu para ampliar as possibilidades de produção, renda e permanência dos jovens no campo.
“Esse crédito conseguia viabilizar a vida das famílias e dos jovens. Depois de utilizado nas propriedades, era devolvido e emprestado para outras famílias. Isso fazia diferença, com possibilidades de os jovens estudarem e as famílias ampliarem a renda”, destacou Werle.
Troca de experiências e participação juvenil
Além das discussões sobre cooperativismo, os estudantes conheceram experiências de organização da juventude em movimentos sociais, sindicatos e cooperativas. Wiltom Oliveira também apresentou aspectos do Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH), com destaque para a proposta de redução dos custos de produção e seus possíveis reflexos na renda dos agricultores.
De acordo com Oliveira, a atividade permitiu compartilhar experiências do Coletivo de Juventude e conhecer as percepções dos estudantes sobre os temas discutidos. “A gente passou para eles um pouco de como funciona o nosso coletivo e de como trabalhamos dentro da cooperativa, dos movimentos e dos sindicatos. Eles também colocaram suas ideias, participaram e conversaram com a gente. Foi uma troca bastante recíproca”, relatou.
Ao final do encontro, Bárbara Camargo e Wiltom Oliveira convidaram os estudantes a participar do Coletivo Estadual da Juventude da Agricultura Familiar do Paraná, cuja última etapa de atividades de 2026 está prevista para novembro.


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