Segundo encontro do projeto Sonhos em Ação reuniu 14 participantes no Sintraf e retomou a história das conquistas das mulheres na região.

As mulheres se reuniram na sede do Sintraf – Coronel Vivida

O projeto Sonhos em Ação reuniu 14 mulheres na segunda-feira (28), em Coronel Vivida, para discutir autoconhecimento e fundamentos da liderança feminina. A atividade, orientada pela monitora Giseli Aparecida Bernart, ocorreu na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (Sintraf). A maioria das participantes é do campo. O projeto é desenvolvido pela Assesoar em parceria com a Itaipu Binacional.

Moradora da comunidade de Retiro do Pinhal, Rosemary Ferreira Santos participou dos dois encontros realizados no município. Para ela, revisitar a trajetória das mulheres ajuda a reconhecer os direitos conquistados e a importância de manter a organização coletiva. “Houve muita luta para conseguir esses direitos, mas hoje, se a gente não continuar se unindo, se organizando, isso pode ir por água abaixo”, afirmou.

Rosemary também considera necessário compartilhar essa história com as novas gerações. Segundo ela, os encontros oferecem uma oportunidade para que mais pessoas conheçam a contribuição das mulheres e de suas famílias nas lutas da região.

A agricultora familiar, apicultora e meliponicultora Teonilde Polês Roberti vê no grupo um espaço para discutir o que ainda precisa mudar. “A gente já teve muitas conquistas ao longo do tempo, mas tem muito mais ainda para buscar”, disse. Ela citou a participação das mulheres na política e na economia, além das demandas presentes nas propriedades e comunidades.

Em entrevista ao jornalista Jota Ribeiro, a gestora do Sonhos em Ação, Sônia Schlickmann, explicou que o projeto busca identificar, com as participantes, políticas públicas capazes de melhorar a vida delas e de suas famílias. A proposta usa os sonhos relatados pelas mulheres como ponto de partida para discutir essas necessidades.

Segundo Sônia, a equipe conversou com mais de 2.200 mulheres em uma primeira etapa de reuniões. Desde o início da execução do projeto, em maio, as atividades retornaram a 36 municípios para trabalhar com grupos menores. “Nós temos a adesão de quase 100% dos municípios da região para discutir esse tema das políticas públicas na melhoria da qualidade de vida”, afirmou.

Entre as demandas identificadas, a gestora citou investimentos no combate à violência, projetos para ampliar a renda e a autonomia financeira das mulheres e serviços de saúde mais próximos de suas casas. Ela também apontou a falta de reconhecimento em empresas, organizações e espaços políticos. “As mulheres se veem invisíveis na sociedade, nas empresas, nas organizações, na política. Elas não se enxergam nesse espaço”, relatou.

Nesta etapa, o projeto também recupera a história da organização das mulheres no Sudoeste. Sônia citou a reivindicação por uma política de habitação para agricultoras, apresentada por uma mulher em um encontro no município de Planalto, como exemplo de demanda coletiva que ganhou alcance. Para a gestora, recordar essa trajetória pode ajudar as participantes a formular propostas para os municípios onde vivem.

O almoço foi um momento a mais de confraternização.
A monitora Giseli Aparecida Bernart incentivou o debate entre as participantes.

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