Educador André Souza Fedel, da Assesoar, integrou reunião do CEAAL-Brasil e etapa de formação voltada a lideranças e organizações populares.

A relação entre educação popular, soberania e produção de alimentos esteve entre os temas abordados pelo educador popular André Souza Fedel durante atividades em Pernambuco, de 14 a 19 de setembro. Ele e o agricultor e associado Wiltom Oliveira representaram a Assesoar, organização de Francisco Beltrão que integra o Conselho de Educação Popular da América Latina e do Caribe (CEAAL). André também participou de uma reunião da coordenação brasileira do conselho e de uma etapa do Ciclo de Formação em Educação Popular e Economia Solidária.
Ao tratar da participação da Assesoar, André relacionou a defesa da soberania às condições de quem produz alimentos e de quem busca acesso à terra. Na avaliação do educador, o pensamento de Paulo Freire contribui para a organização e a formação desses grupos no Paraná e no restante do país.
De 14 a 17 de setembro, em Recife, a reunião da Coordenação Brasil do CEAAL avaliou as ações vinculadas aos projetos desenvolvidos pelo CAMP e pela Escola de Formação Quilombo dos Palmares (EQUIP) e discutiu sua continuidade.
Entre os dias 17 e 19, André integrou a formação organizada pela EQUIP e pelo CEAAL-Brasil, destinada a educadores, lideranças de movimentos sociais e representantes de organizações populares que atuam com economia solidária. A iniciativa conta com recursos de emenda parlamentar da senadora Teresa Leitão (PE), por meio do Ministério do Trabalho.
O ciclo tem como objetivos articular redes territoriais, produzir e sistematizar conhecimentos e ampliar a participação das organizações na construção de políticas públicas para o setor. Previsto para o período de julho de 2026 a junho de 2027, compreende um curso presencial, atividades de multiplicação nos territórios, cinco oficinas virtuais e a sistematização das experiências.

Formação política e acesso a direitos
A programação também marcou os 105 anos do nascimento de Paulo Freire, em 19 de setembro, com o tema “Por uma educação popular na defesa da soberania do Brasil”. Para André, a celebração deve estimular a reflexão sobre o papel da educação na compreensão da realidade e na participação social. “Nós precisamos nos politizar e politizar os nossos companheiros e companheiras que estão conosco”, afirmou.
Ao abordar o legado da educação popular, André citou a educação do campo, o Sistema Único de Saúde (SUS) e a atuação dos agentes populares de saúde. Em sua avaliação, o acesso às políticas públicas precisa ser acompanhado de formação que permita às pessoas reconhecer esses serviços e iniciativas como direitos.
O educador também mencionou o Bolsa Família como exemplo de política de enfrentamento à pobreza e defendeu que seus beneficiários participem desse processo de formação. Entre as pautas que considera necessárias ao debate da educação popular, apontou o fim da escala de trabalho 6 por 1 e a taxação dos super-ricos.

Ainda sem comentário, adicione o seu abaixo!