
O Coletivo da Juventude da Agricultura Familiar esteve reunido durante os dias 8 e 9 de maio, na Assesoar, para participar da VI etapa de formação, que teve como pauta o tema das políticas públicas e sucessão familiar.
A atividade iniciou com a turma colocando o pé no barro. A chuva não impediu a visita na família da Ana e do Willian, um casal de jovens agricultores agroecológicos e membros da Coopafi – Cooperativa da Agricultura Familiar Integrada, que estão fazendo a sucessão na propriedade. A terra herdada dos avós, é compartilhada com os pais e irmãos. A produção de alimentos é diversificada, com foco na produção de hortaliças e frutas, de onde provém a principal renda familiar – a comercialização se dá diretamente com consumidores urbanos e programas institucionais da cooperativa. Devido aos altos custos cartoriais, a terra ainda não foi regularizada, impedindo o acesso a principais políticas públicas, a exemplo do Pronaf.
Como forma de aprofundar o debate, a partir da realidade concreta, no dia seguinte o Coletivo refletiu sobre os desafios e possibilidades da agricultura familiar. Este momento foi conduzido pela educadora popular Lunéia Catiane de Souza, que abordou dados do seu trabalho de conclusão do Curso de Realidade Brasileira, apresentada em 2023, em que pesquisou essa temática junto a jovens do município de Francisco Beltrão. Também teve a participação do dirigente nacional da Confederação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar – Contraf Brasil, Marcos Rochinski, que indagou a necessidade do Estado brasileiro tratar como prioridade o setor responsável pela soberania e segurança alimentar do país. Rochinski lembrou dos avanços obtidos até então, por meio da organização sindical e luta dos trabalhadores/as, mas enfatizou a urgência de avançar em políticas públicas estruturantes, como: Plano Nacional de Abastecimento e Segurança Alimentar, PAC da agricultura familiar e transição de um novo modelo produtivo agroalimentar.
A formação também contou com muitas atividades culturais. Durante a programação teve a noite cultural, com troca de experiências, socialização e músicas. Além da oficina de agitação e propaganda, conduzida pelo educador popular André de Souza Fedel, com ensaios relacionados a instrumentos de percussão e seus ritmos e a músicas inéditas produzidas pelos próprios jovens, bem como o exercício de uma oficina de muralismo, com pintura de um estandarte, rememorando a história de lutadores do sindicalismo combativo da agricultura familiar.
O processo de formação seguirá acontecendo e a próxima etapa deve ocorrer nos dias 26 e 27 de junho.

Ainda sem comentário, adicione o seu abaixo!