Jornada Paranaense de Agroecologia

um projeto popular e soberano para a agricultura

Em meio as contradições e consequências do agronegócio, a Jornada de Agroecologia firma-se como um espaço de articulação entre movimentos sociais e agricultores familiares de todas as regiões do estado, na luta pela construção de uma proposta alternativa de agricultura.

Em entrevista, João Pedro Stédile, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirma que “Os movimentos sociais do campo do Paraná cumpriram um papel histórico, ao longo desses 12 anos, de terem protagonizado a defesa da agroecologia como um modelo alternativo necessário para se contrapor ao modelo do capital e, por isso, os companheiros daqui estão de parabéns porque a cada ano a jornada vai evoluindo e consolidando essa combinação entre conhecimentos e saberes populares, com conhecimento científico, com intercâmbio de pesquisas que vão dando sustentação de que a agroecologia é viável e que é a única maneira de fazermos uma produção de alimento saudável”.

A primeira Jornada de Agroecologia aconteceu nos dias 17 a 20 de abril de 2002, em Ponta Grossa. Segundo Roberto Baggio, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná, e da coordenação da Jornada de Agroecologia, “a ideia é que a Jornada deve se movimentar no estado. Geralmente ela acontece de um a três anos consecutivos numa mesma região, justamente para o seu fortalecimento. Assim, a coordenação decide onde ela será sediada, na ideia de que ela tem que ir para um lugar que esteja disposto a acolher e assumir a tarefa de organizar e estruturar a jornada, bem como, ajudar a dar força nas iniciativas de agroecologia.

No ano de 2013, na sua 12ª edição, a jornada aconteceu nos dias 7 a 10 de agosto, na Escola Milton Santos, no município de Maringá. Cerca de 3 mil pessoas reafirmaram a luta por uma “Terra livre de latifúndios, sem transgênicos e sem agrotóxicos”, e pela construção de um projeto popular e soberano para a agricultura.

O MST é uma das organizações que promovem as jornadas de agroecologia. Roberto Baggio diz que o movimento tem priorizado discutir a agroecologia, desde 2000: “é um debate muito importante que deu resultado porque tem muitas famílias, escolas dos assentamentos que estão debatendo e praticando a agroecologia. Também tem muitas outras iniciativas, como, cursos de graduação, especialização com ênfase na agroecologia, na área da saúde, da agronomia, da educação. A Jornada é um espaço importante de intercâmbio, troca de experiências e aprendizado. Todas essas iniciativas vão ajudando a enraizar a agroecologia como a matriz de um novo projeto de agricultura popular e soberana para o Brasil”.

João Pedro Stédile acredita que “a agroecologia precisa se fortalecer em todos os espaços possíveis de comunicação para estimular os agricultores a fazerem suas experiências, pois eles são pragmáticos, não aprendem pela teoria, mas pela prática. Assim, repassar o conhecimento para os vizinhos, para amplificar essa proposta, mesmo que o processo de transição para a agroecologia seja mais demorado e exige inclusive mais mão-de-obra, mas é única maneira de recuperarmos a natureza e produzir em equilíbrio, um alimento saudável. Todos podem ter acesso a esse alimento desde que tenha políticas públicas que estimulem a produção agroecológica, e que a CONAB garanta a compra desses produtos”.

Fortalecendo essa ideia, Roberto Baggio diz que “esse período na história da humanidade é um momento de batalhas decisivas, que o agronegócio com a lógica de agroquímicos, venenos, transgênicos, agrotóxicos, doenças, não pode vencer, porque ele destrói por completo a agricultura camponesa, popular, indígena, familiar. Por isso, a batalha desse momento é resistir a esse modelo e construir o nosso projeto, uma agricultura popular, com famílias da agricultura familiar e camponesa, com jovens no campo, com a educação, saúde e cultura para a agroecologia. Por isso, precisamos regar, cuidar, alimentar, adubar o nosso projeto, só assim, vamos vencer, mesmo que demore alguns anos. Temos todas as condições para travar essa batalha e vencer o agronegócio, por isso que temos que massificar a agroecologia, porque ela é o verdadeiro projeto de emancipação e organização da classe trabalhadora para produzir comida no Brasil, então essa é a tarefa do campesinato e de todos os povos que vivem e trabalham na agricultura.

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