Evento reúne professores de aproximadamente 30 escolas nesta sexta-feira e sábado, em Francisco Beltrão, para discutir políticas públicas, desafios e experiências da Educação do Campo.

Professores de aproximadamente 30 escolas do campo do Sudoeste do Paraná e de outras regiões participam, nesta sexta-feira, 31 de julho, e sábado, 1º de agosto, do Seminário Escola da Terra 2026, em Francisco Beltrão. O evento encerra o processo de formação continuada do Programa Escola da Terra e promove debates sobre políticas públicas, os desafios da Educação do Campo e as experiências desenvolvidas durante a formação.

Segundo a professora da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Campus Laranjeiras do Sul, e coordenadora do programa, Ana Hammel, o seminário busca sintetizar o trabalho realizado e aprofundar questões que acompanharam a formação. Entre os temas está a necessidade de reconhecer as características das escolas do campo e sua relação com a vida das comunidades.

“É olhar para essa escola, dar visibilidade a essa escola que existe, mas que, muitas vezes, está inserida em um processo que não a reconhece como uma escola diferenciada, que precisa ser considerada em sua diversidade e singularidade”, afirma Ana.

A programação reúne representantes da Defensoria Pública, do Fórum Nacional da Educação do Campo e pesquisadores que discutem o tema. Nesta sexta-feira à noite, o professor Salomão Hage participa do debate sobre as características das escolas do campo, os sujeitos atendidos e a ligação das instituições de ensino com as comunidades. No sábado pela manhã, o professor Gaudêncio Frigotto abordará a situação da educação pública no Brasil e no Paraná.

Risco de fechamento

O fechamento de escolas é um dos principais desafios abordados no seminário. Conforme Ana, diversas instituições encerraram suas atividades recentemente no Sudoeste, enquanto outras ainda correm o mesmo risco. A justificativa apresentada por gestores públicos costuma estar relacionada ao custo de manutenção das escolas com poucos estudantes.

A coordenadora contesta a análise baseada apenas no número de matrículas e destaca que a função dessas instituições ultrapassa a oferta da educação formal. “A escola significa mais do que uma escola na comunidade. Nós temos a campanha ‘Na escola é vida na comunidade’, porque a escola movimenta a comunidade”, ressalta.

Para Ana, o encerramento das atividades também compromete os vínculos construídos pelas famílias. “Quando se fecha uma escola, não se fecha apenas a instituição. Acaba-se com todo um processo de socialização e com um espaço de vida da comunidade.”

Apesar dos fechamentos registrados, o Sudoeste também teve casos de reabertura de escolas. Essas diferentes experiências integram as reflexões propostas pelo seminário sobre a garantia das políticas públicas e a permanência da educação nos territórios do campo.

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