
Valmor Schiochet e Inácio Werle conversaram com moradores, representantes de organizações populares por servidores do poder público sobre a reconstrução de Rio Bonito de Iguaçu. Foto: Lígia Tesser/ Assesoar
Na última sexta-feira, 28 de novembro, o presidente da Assesoar e coordenador do Fórum Regional das Organizações Populares do Campo e da Cidade do Sudoeste do Paraná, Inácio Werle, retornou a Rio Bonito do Iguaçu para acompanhar o Secretário Adjunto Nacional de Participação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, Valmor Schiochet. A agenda, solicitada especialmente pelo ministro Guilherme Boulos, buscou aprofundar o diálogo com movimentos sociais e avaliar a situação dos atingidos pelo tornado que assolou a região no início de novembro.
A manhã começou na Casa dos Atingidos, coordenada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Valmor recebeu pauta com reivindicações urgentes da comunidade. Entre os pedidos, destacam-se a isenção por um ano das tarifas de água e energia para as famílias afetadas, mais clareza sobre programas e auxílios do governo federal e a ampliação dos recursos para reforma e reconstrução de moradias.
Durante a visita, as lideranças percorreram casas já reconstruídas e em construção pela solidariedade dos atingidos e pelo apoio voluntário do MAB. Schiochet conversou com moradores, ouviu relatos sobre as dificuldades enfrentadas e se comprometeu a fortalecer a interlocução direta com o Governo Federal para garantir maior agilidade nas ações de reconstrução.
Ainda no mesmo dia, Inácio e Valmor estiveram no Assentamento 8 de Junho, em Laranjeiras do Sul, onde reconheceram o trabalho intenso do Movimento Sem Terra (MST). Os integrantes do MST têm contribuído com apoio social e na reorganização de comunidades da Cantu afetadas pelo tornado ocorrido no dia 7. Outra visita, no mesmo município, foi ao campus da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), onde serve como local de gerenciamento de crise com as demais organizações populares e da sociedade civil.
A agenda incluiu, também em Rio Bonito do Iguaçu, diálogos com representantes do Ministério Público, com o prefeito Sezar Bovino, o vice Rildo Safraider e com equipes da Defesa Civil — federal, estadual e municipal — que atuam de forma integrada na região.

“Evento dramático gera aprendizagens importantes”, avalia Valmor Schiochet
Em entrevista, o secretário adjunto Valmor Schiochet destacou que a visita presencial permitiu compreender a força organizativa do território e o papel determinante dos movimentos sociais na resposta ao desastre. Segundo ele, embora o apoio emergencial seja fortemente impulsionado pela mobilização popular, a fase de reconstrução exige maior protagonismo do poder público, tanto para restabelecer direitos quanto para reorganizar políticas que previnam e preparem comunidades para futuros eventos extremos.
Schiochet também apontou fragilidades na política de defesa civil local e a necessidade de integrá-la às áreas de assistência social e educação, fortalecendo conselhos e núcleos comunitários. “É fundamental que o poder público se prepare diante das mudanças climáticas. A defesa civil precisa ser uma pauta estruturante também para os movimentos sociais”, afirmou.
Para o secretário, apesar do sofrimento causado pelo tornado, a experiência gera aprendizagens que podem orientar tanto o Estado quanto os movimentos sociais na construção de respostas mais eficazes e participativas em situações de desastre.
Ainda sem comentário, adicione o seu abaixo!