No dia 09 de dezembro de 2011, a Assesoar participou de um debate sobre o político brasileiro e líder comunista Carlos Marighella. O evento ocorreu na sede da SENGE, em Curitiba, e foi promovido pelo jornal Brasil de Fato. O objetivo do evento era comemorar o centenário do líder, relembrando seus feitos durante a vida como forma de homenagem. Participaram do debate membros de várias entidades, estudantes, a equipe do Brasil de Fato e demais interessados. “O grande exemplo de Marighella foi a sua coerência em relação aos fatos. Ele representa a figura do trauma da Ditadura Militar, algo que não foi digerido pela sociedade e que ainda reflete na nossa política de hoje”, afirma o membro do conselho editorial do Brasil de Fato, Ricardo Gebrim, que conduziu o debate na ocasião.
Para Luiz Otávio Ribas, professor de Direitos Humanos da UniCuritiba e mediador do debate, resgatar a biografia de Carlos Marighella é de fundamental importância para entender suas ações. Segundo o professor, é preciso prestar atenção não somente no que foi feito pelo líder, mas também naquilo que foi dito, pensado e vivido. “As relações afetivas de Marighella são essenciais para entender suas ações políticas e suas lutas, não há como separar uma coisa da outra”, confirma Ribas.
Ao relembrar a biografia do líder comunista, Luiz Otávio Ribas a divide em dois momentos: o preso Carlos Marighella e o político Carlos Marighella, já que ele foi eleito Deputado Estadual pelo Partido Comunista na Bahia. No primeiro momento, pode-se ressaltar sua dignidade enquanto carcereiro, e sua preocupação com as condições de vida dos presos. Entre suas ações de destaque estão a organização de grupos de artesanato, que vendiam seus produtos e a partir da renda obtinham melhores condições de alimentação dentro da prisão. Marighella também se preocupou em ascender um foco comunista dentro da prisão, instalando em seu companheiros um sentimento de luta por igualdade.
O segundo momento de sua vida, enquanto político, foi destacada pelos discursos do líder baiano, sempre ressaltando a democracia e representando os interesses do povo brasileiro. Os operários foram muito lembrados nos discursos de Marighella – os quais a mídia insistia em afirmar que eram longos demais.
O conselheiro editorial Ricardo Gebrim também ressaltou em sua fala a importância do resgate biográfico de Marighella para compreender de fato suas ações e lutas. Ele discute bastante o conceito de memória coletiva, dizendo o quanto é importante perceber a existência de marcas de lutas em nossos povos. “Cada povo segue com as marcas das lutas que já ocorreram no passado. Essas lutas ficam em uma memória coletiva, e no nosso continente isso é muito evidente” acredita Gebrim.
Sobre Carlos Marighella
Carlos Marighella nasceu no dia 5 de dezembro de 1911, e morreu em 1968, com 57 anos. Durante sua vida, ele lutou contra a influência norte-americana no Brasil, foi fundador da Aliança Libertadora Nacional (ALN), foi poeta, discursou a favor dos operários e denunciou as más condições de vida e trabalho da classe, defendeu a luta armada aliada à luta das massas, foi Deputado Estadual e sofreu uma série de repressões. Marighella foi preso pela primeira vez aos 22 anos, quando escreveu um poema contra um político baiano. Foi preso mais duas vezes, e torturado barbaramente em todas elas, sempre resistindo e não entregando os companheiros de luta. Em um de seus textos mais famosos, escreve: “E que eu por ti, se torturado for, possa feliz, indiferente à dor, morrer sorrindo a murmurar teu nome”.
Confira a seguir algumas fotos do evento:
fotos: Pedro Carrano

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