De um lado, aproximadamente, 500 famílias de agricultores dos municípios de Capitão Leônidas Marques, Capanema, Realeza, Planalto e Nova Prata do Iguaçu das regiões sudoeste e oeste do Paraná e, de outro, a multinacional Iberdrola, da Espanha, que através da Neoenergia, contratou a Geração Céu Azul para a construção da hidrelétrica no Rio Iguaçu, no Município de Capanema.

Com quase um ano de luta e tentativas de negociação, as 500 famílias estão dando passos significativos em sua organização e luta. Primeiro, no dia 16 de agosto de 2013, organizados no Movimento dos Atingidos por Barragens, realizaram uma Assembleia e uma Audiência Pública, ao lado do canteiro de obras da Hidroelétrica do Baixo Iguaçu, na Comunidade de Marechal Lott, Município de Capanema – PR.

Depois, no dia 9 de setembro de 2013, ocuparam o canteiro de obras da construtora para protestar contra os desmandos covardes (conforme expressões, reiteradamente, ouvidas por quem esteve por lá nesses dias de ocupação) da empresa e de seus aliados e para retomar as negociações no sentido de discutir e firmar um acordo antes de dar seguimento à obra.

Esses 3 dias, desde a ocupação, no dia 9, até hoje, dia 11 de setembro, foram terríveis para as famílias. A polícia, que deveria estar trabalhando para garantir a segurança do povo que está sendo desrespeitado em seus direitos mais sagrados (viver em paz em suas casas e terras onde vivem há décadas), esteve muito mais preocupada em defender os interesses da empresa e provocar medo na população. Estamos sendo obrigados a apresentar nossos documentos para circular aqui, nas estradas que sempre vivemos em paz, dizem indignadas as pessoas que estavam reunidas. Uma senhora, demonstrando tristeza e indignação disse que um policial havia arrancado a identidade da sua mão.

Apesar do clima de guerra, criado pela empresa e seus aliados, cerca de 500 pessoas, permaneceram o dia todo, até às 8 horas da noite, cercando a igrejinha da Comunidade de Marechal Lott, onde a comissão dos atingidos, representantes de organizações de agricultores, do governo do Estado do Paraná e da empresa negociavam uma extensa pauta do acordo que deverá ser finalizado nos próximos dias.

O início das negociações foi muito difícil. Os representantes da empresa, demonstrando total insensibilidade com os problemas das famílias, não cediam a nada. Alegando não terem nenhum poder de decisão passaram a tarde tentando vencer as famílias pelo cansaço e ligando para seus chefes.

No começo da noite ficou acertado que as negociações continuariam no dia 12, com o compromisso de finalizá-la até o final da tarde e que, enquanto isso, a obra permaneceria parada. As famílias foram para casa respirando um ar de início vitória e cheios de ânimo para retornar no dia seguinte, hoje dia 12, onde permanecem cercando o local das negociações.

Entre as famílias, percebe-se grande disposição de luta e certamente terão que mantê-la muito viva, porque a batalha só está começando. A ‘funda de Davi’ está em ação.

Leia mais aqui: http://www.mabnacional.org.br/noticia/negocia-n-avan-em-baixo-igua-u

veja aqui o local da obra: http://goo.gl/maps/Q5WuW

Grandes empresas – nacionais e estrangeiras – estão numa ofensiva para se tornarem donas de todas as fontes de energia do país. Leia.

Posts Recomendados

2 Comentários

  1. Me desculpem, mas a polícia esta cumprindo ordens superiores, e sim, está trabalhando. Se a opinião do escritor do texto é diferente, tudo bem, no entanto utilizar as palavras desta forma, hostilizando uma instituição importante na nossa sociedade, não me parece correto.

    Cordialmente.

    Adailtonson

  2. Me coloco no lugar destas pessoas e tenho um grande sentimento de tristesa, revolta, indignação…
    Torço muito para que estas familias tenham suas reivindicções e direitos atendidos!


Adicionar um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *