No dia 16 de agosto, organizados no Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, mais de 600 pessoas (agricultores/as atingidos dessa e de outras hidroelétricas, sindicatos e CUT Paraná, cooperativas, prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais, Comissão de Direitos Humanos e da Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, ASSESOAR, CPT, promotores de justiça, representantes do Ministério Público Federal, da Secretaria Geral da Presidência da República, Secretaria de Assuntos Fundiários do PR, entre outros) se reuniram em Assembleia e para uma Audiência Pública no canteiro de obras da Hidroelétrica do Baixo Iguaçu, na Comunidade de Marechal Lott, Município de Capanema – PR.
A Assembleia e a Audiência Pública, coordenadas pelo MAB, pela ASSESOAR e pela Comissão de Direitos Humanos e da Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, deram passos importantes na luta dos atingidos por seus direitos: organização e escolha da coordenação do movimento com representantes dos municípios, unificação da pauta de reivindicações, determinação de prazos para a empresa retomar a negociação, e encaminhamento de uma nova audiência na Assembleia Legislativa do Paraná, para tornar público a violência da empresa contra os atingidos.
Os atingidos reconheceram e legitimaram o Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, como sua organização que, juntamente com a coordenação escolhida (com representantes dos municípios atingidos) coordenará a luta e as negociações.
A Usina do Baixo Iguaçu está prevista há mais ou menos dez anos, e desde o inicio, assim como outras usinas, foi se construindo a ideia de que as barragens são sinônimo de progresso e desenvolvimento e que as famílias atingidas (nesse casso, em torno de 500), seriam indenizadas com justiça e que todos esses benefícios seriam alcançados pela negociação com a empresa.
Quem dera que o objetivo da construção de usinas hidrelétricas, fosse à geração de energia para o bem estar da população! Essa é a sensação que pesa sobre os atingidos e as organizações que os apoiam. Todos conhecem a violência cometida pelas empresas ávidas por lucro a qualquer custo.
A propaganda dos supostos benefícios da barragem, normalmente, é feita por membros do executivo e do legislativo, representantes do campo político favorável aos avanços das empresas capitalistas, no caso das barragens. A maioria são multinacionais, como a Iberdrola, da Espanha, que através da Neoenergia, contratou a Geração Céu Azul para a construção da hidrelétrica.
O discurso da negociação, se revelou como uma armadilha contra os atingidos. No momento da construção, os trabalhadores são expulsos sem negociar o preço das indenizações, depositando na justiça valores injustos.
A organização fragmentada nos municípios e sem uma pauta unificada facilitou a ação da empresa. Percebendo esta condição os atingidos foram em busca de apoio e chegaram aos resultados desse evento grandioso, que remarca, decisivamente, o futuro das negociações.

2 Comentários
[…] no dia 16 de agosto de 2013, organizados no Movimento dos Atingidos por Barragens, realizaram uma Assembleia e uma Audiência Pública, ao lado do canteiro de obras da Hidroelétrica do Baixo Iguaçu, na Comunidade de Marechal Lott, […]
[…] Azul), para mais um dia tenso de negociação da pauta do acordo construído no dia 16 de agosto na Assembleia e na Audiência Pública na Comunidade de Marechal Lott, Município de Capanema – […]