Encontro de formação na Assesoar abordou as desigualdades raciais, a resistência da população negra e a relação entre justiça social e agroecologia.


O encontro contou com a participação do professor Dr. José Lúcio Machado, integrante do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas de Francisco Beltrão (NEABI-FB).

Compreender a história da população negra no Brasil, reconhecer suas contribuições para a formação da sociedade e refletir sobre as desigualdades raciais que persistem até os dias atuais. Esses foram os principais temas do encontro do Núcleo de Estudos e Ações Afirmativas em Gênero e Agroecologia (GEN), realizado no dia 25 de setembro, na sede da Assesoar, em Francisco Beltrão. A atividade integrou o processo de formação continuada da instituição e reuniu 17 participantes, entre integrantes da equipe técnica, do Conselho Diretor e da Direção Executiva.

A formação teve como tema central a história afro-brasileira, com destaque para as trajetórias de resistência das pessoas escravizadas e os reflexos desse período nas relações sociais contemporâneas. A proposta foi ampliar o conhecimento histórico e estimular uma reflexão crítica sobre o racismo, os privilégios e as desigualdades de acesso a direitos e oportunidades.

Organizado pela engenheira agrônoma Larissa Simão, do Coletivo de Agroecologia, e pelo educador popular André de Souza Fedel, do Coletivo de Formação da Assesoar, o encontro contou com a participação do professor Dr. José Lúcio Machado, integrante do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas de Francisco Beltrão (NEABI-FB), da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), e da doutoranda Valentina Coelho, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), responsáveis pela condução das atividades. O planejamento também teve a colaboração do professor Dr. Esdras Tavares de Oliveira, da Unioeste.

Segundo Larissa, a formação integra o compromisso da Assesoar de aprofundar o debate sobre gênero, relações raciais e agroecologia. “A ação buscou contribuir para a formação crítica, o enfrentamento ao racismo e a construção de relações mais justas e igualitárias.”

O encontro foi organizado pela engenheira agrônoma Larissa Simão, do Coletivo de Agroecologia, e pelo educador popular André de Souza Fedel, do Coletivo de Formação da Assesoar.

Da história às desigualdades atuais

Durante o encontro, os participantes desenvolveram atividades que relacionaram aspectos da história afro-brasileira com situações presentes no cotidiano. Uma das dinâmicas explorou palavras de origem africana incorporadas à língua portuguesa, como forma de reconhecer a presença e a influência da cultura africana na sociedade.

Outra proposta envolveu a observação e a análise de imagens de diferentes espaços, lugares e situações. A partir desses elementos, foram discutidas as desigualdades sociais e raciais, os privilégios e as condições de acesso a oportunidades. “Essas propostas ajudaram a ampliar o debate sobre os privilégios, as desigualdades e as diferenças de acesso e oportunidades vivenciadas pela população”, destaca Larissa.

A atividade também abriu espaço para relacionar as questões raciais aos princípios defendidos pela agroecologia. Nessa perspectiva, a construção de uma sociedade mais justa não se limita às formas de produção de alimentos, mas envolve o reconhecimento dos diferentes sujeitos, de seus conhecimentos e de seus direitos.

Para Larissa, a reflexão passa pela compreensão de que “a construção de sistemas alimentares justos e sustentáveis também exige enfrentar o racismo e reconhecer os diferentes sujeitos e saberes que constituem a sociedade”. Entre os aspectos relacionados a esse debate está a desigualdade no acesso à terra, questão que aproxima a história da população negra das discussões sobre justiça social e agroecologia.

Formação como processo permanente

O encontro faz parte de uma proposta de formação continuada desenvolvida pelo GEN ao longo de 2026. Mais do que uma atividade isolada, a iniciativa busca fortalecer, dentro da própria Assesoar, o conhecimento e a reflexão sobre questões que atravessam as relações sociais e também se manifestam no campo.

A participação de integrantes dos diferentes espaços da estrutura institucional reforça a proposta de envolver equipe técnica e dirigentes nesse processo. Dos 17 participantes, dez eram mulheres e sete homens, distribuídos entre diferentes faixas etárias.

A continuidade das atividades pretende aprofundar as discussões sobre gênero, relações raciais, agroecologia e justiça social, além de contribuir para a atuação da Assesoar junto às comunidades e organizações com as quais desenvolve seu trabalho.

O próximo encontro do GEN está previsto para o dia 6 de novembro, na sede da Assesoar, em Francisco Beltrão, dando sequência ao processo de formação e reflexão coletiva.

Para Larissa, a reflexão passa pela compreensão de que “a construção de sistemas alimentares justos e sustentáveis também exige enfrentar o racismo e reconhecer os diferentes sujeitos e saberes que constituem a sociedade”.

Posts Recomendados

Ainda sem comentário, adicione o seu abaixo!


Adicionar um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *