Entidade cobra apuração do Ministério Público, medidas de contenção e responsabilização por danos ambientais e à saúde da população.
A Assesoar denuncia os riscos ambientais e à saúde causados pelo acidente com um caminhão carregado com agrotóxicos na BR-180, na comunidade de Vista Alegre. O vazamento da carga provocou contaminação do solo, da água e do ar, com consequências para os seres vivos expostos à área atingida.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, a carga era composta por diferentes princípios ativos, entre eles glifosato, diquat e formulação concentrada de fipronil. A entidade alerta que a demora na contenção dos líquidos vazados, somada à falta de medidas preventivas no transporte da carga e à ausência de equipes capacitadas para uma intervenção rápida, pode ter ampliado os impactos da contaminação.
O fipronil é um inseticida de amplo espectro que atua no sistema nervoso central dos insetos, levando-os à morte. Além dele, os demais agrotóxicos presentes na carga também representam riscos ambientais e à saúde humana, especialmente em situações de vazamento, exposição direta ou contaminação de recursos naturais.
Estudos recentes reforçam a preocupação. Pesquisa realizada nas bases de dados PubMed e Scopus, entre março e abril de 2025, com os descritores “fipronil” e “poisoning”, analisou publicações entre 2015 e 2025, disponíveis na íntegra e com enfoque em seres humanos. Os resultados apontam efeitos neurotóxicos significativos associados ao fipronil, como estresse oxidativo, disfunção mitocondrial e alterações no desenvolvimento neuronal, especialmente relacionados ao metabólito fipronil sulfona.
A pesquisa também registrou casos de intoxicação aguda, com maior incidência em crianças. No entanto, aponta que a ausência de estudos epidemiológicos mais robustos ainda limita o conhecimento sobre os efeitos da exposição crônica. A conclusão é de que o fipronil representa risco potencial à saúde humana, sendo necessária a implementação de políticas públicas para o uso controlado do produto e para a proteção da população.
Diante deste cenário, a Assesoar defende que o Ministério Público atue na apuração da contaminação ambiental e da possível exposição de pessoas aos produtos químicos. A entidade também cobra medidas imediatas de limpeza, isolamento e contenção da área atingida, além da responsabilização da empresa transportadora e dos fabricantes pelos danos causados.
A Assesoar reforça ainda a necessidade de medidas de mitigação dos impactos, acompanhamento das comunidades atingidas e indenização às pessoas eventualmente afetadas, com responsabilização nas esferas civil e criminal, conforme os danos apurados.
Referência:
v. 7 n. 2 (especial) (2025): VIII Simpósio Internacional Ciência, Saúde e Território | Eixo II – Saúde, Ambiente e Sociedade. Disponível em: https://rlas.uniplaclages.edu.br/index.php/rlas/article/view/172

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