O Coletivo Regional de Formadores do Sudoeste do Paraná, realizou a terceira etapa do programa de formação política, nos dias 27, 28 e 29 de maio de 2014, na sede da ASSESOAR.
Com a presença de 60 dirigentes-militantes e a assessoria do CEPIS – SP, as atividades destes dias visaram estudar o Desenvolvimento Nacional e que Desenvolvimento espera-se para o Brasil, com um recorte especial para a condição do campo.
A ASSESOAR e o compromisso com a Formação Política
Quem controla os meios de trabalhar, controla a riqueza do trabalho social e, por isso, tem condições de controlar como uma sociedade pensa. Para continuar explorando o trabalho, a Burguesia molda a cabeça, especialmente da classe trabalhadora. Esse é o papel da ideologia.
A afirmação acima é estranha à maioria dos trabalhadores brasileiros porque explicam a exploração econômica, a miséria, a subordinação política, a exclusão ou o ‘sucesso’ social, de outra forma. Os trabalhadores, normalmente, acreditam que a grande riqueza de alguns é fruto de esforço individual, da maior competência pessoal ou, mais recentemente, da maior capacidade empreendedora.
A classe dos capitalistas sabe que seu sossego é maior quanto menor for a capacidade organizativa e de luta da classe trabalhadora, por isso, atua em todos os espaços e produz/ensina formas de interpretar e se posicionar no mundo. Dedica-se a moldar como pensam as famílias, os conteúdos e valores dos meios massivos de comunicação, de religiões, de escolas, de universidades e, inclusive, de organizações populares.
Aparecendo como democrática, a burguesia oferece como doação, muitas das demandas das lutas da classe trabalhadora. É assim com o FGTS no lugar da estabilidade no emprego; com a democracia representativa no lugar da democracia direta; com o plebiscito só para tratar de assuntos secundários; com a assistência social ao invés de distribuição justa da riqueza; com o voto que aparenta ser o maior instrumento de poder popular e de cidadania, entre outros.
Um olhar mais atento da classe trabalhadora mostrará que a democracia defendida pela elite é associada à defesa da sua propriedade privada dos meios de produzir (terra, fábricas, capital) e à liberdade de expressão dos seus empresários da comunicação, cuja defesa é feita, se necessário, com o uso da violência armada, legalizada ou mercenária, contra possíveis ‘atentados’ da classe trabalhadora ‘contra a ordem e a liberdade social’.
‘Afiar’ a condição da classe trabalhadora desmontar as explicações da elite sobre o funcionamento do Capitalismo e contrapor-se de forma fundamentada e organizada, com base na ciência e na história das lutas de classe, é o papel da Formação Política.
A Formação Política, permite o contraponto à elite (contra-ideologia), esclarece o povo e contribui para organizar a luta da classe para a transformação rumo ao Socialismo. A Formação Política prepara os militantes que fazem a luta de classe acontecer ao elaborar respostas para os desafios atuais, transformando as conquistas específicas, do povo ou de categorias profissionais, em vitórias da classe trabalhadora.
Para que a Formação Política aconteça, a organização/movimento terá que criar as condições (materiais e de mobilização) para que os dirigentes da classe trabalhadora: (a) apropriem-se da teoria e da ciência para teorizar o trabalho produtivo de sua época; (b) elaborem uma estratégia que permita às organizações populares e de classe posicionarem-se diante dos desafios da realidade; (c) aprofundem e operem com o método do trabalho de base, formando e mobilizando muita gente; (d) apontem valores para a vivência cotidiana que solidifiquem compromissos comuns na estratégia de transformação, produzindo unidade de classe.
Cooperativas, movimentos e sindicatos, especialmente da população do campo do Sudoeste do Paraná, constataram que, na última década, diante da ausência de lutas contra os setores mais fortes do capital e do foco em negociações com governos, a formação política ficou em segundo plano ou foi paralisada. Quadro esse que fundamentou uma das principais demandas atribuídas para a Assesoar nos próximos anos: contribuir na retomada da Formação Política.
Debateu-se como a Assesoar se organizaria e, em 2010, decidiu-se pela estruturação do Centro de Educação Popular, uma ferramenta estrutural e pedagogicamente organizada, funcionando em articulação política e operacional com as demandas regionais de formação da classe trabalhadora. O Centro de Educação Popular da Assesoar cumprirá o papel de fortalecer as condições políticas, metodológicas e materiais para a formação política, tecnológica e organizativa da classe trabalhadora no Sudoeste do Paraná.
Em 2012, é constituído o Conselho Político do Centro de Educação Popular, cuja tarefa inicial foi formular e acompanhar um programa de formação política, envolvendo 60 dirigentes, nas 04 etapas já realizadas, com mais duas previstas para 2014. A continuidade, em 2015-18, amplia para duas turmas de dirigentes e inicia a formação política de nível intermediário e para a juventude.
Trata-se, como assumido nos debates de 2013 e na Assembleia Geral Ordinária de 2014, da Assesoar contribuir, priorizando ações que permitam mobilizar e articular-se com as lutas populares e classistas, no mínimo, no Paraná; conectar-se com o enfrentamento mais fecundo contra o capital (atualmente as empresas transnacionais e o sistema financeiro); organizar a resistência e acumular para um projeto popular de desenvolvimento para o Brasil e, por fim, conectar-se à luta dos trabalhadores das cidades, especialmente a juventude.
Por Valdir Duarte

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