A ideia é que na próxima semana as negociações voltem a acontecer
Após um período de paralisação, nesta segunda-feira (27) os moradores atingidos pela construção da Usina do Baixo Iguaçu retomaram as discussões que envolvem a questão das indenizações das terras. A primeira reunião do ano aconteceu em Capitão Leônidas Marques e contou com a participação de membros do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).
Segundo o membro da coordenação regional do MAB, Rodrigo Zancanaro, nesta primeira reunião não houve a participação de representantes da empresa responsável pela obra.
Zancanaro falou que foi um momento onde os atingidos puderam expor o que estavam sentido do trabalho e das indecisões da empresa. “O pessoal não confia mais na empresa devido a forma com que ela tem tratado as negociações”, disse ele.
Além disso, os atingidos se posicionaram alegando que a demora faz parte de uma espécie de estratégia da empresa para que os atingidos desistam das reivindicações e processos.
Por fim, Zancanaro contou que a reunião tratou da pauta de reivindicação que estava sendo cobrada ainda no ano passado. Ele disse que a posição dos atingidos é de que não irão abrir mão dos preços justos e do reassentamento. “Estes dois pontos são os centrais”.
O membro da coordenação regional do MAB lembrou o relatório enviado ao governo federal e disse que há o trabalho para que ocorra a retomada da conversa. Contudo, neste momento existe dificuldade, especialmente por conta do recesso do final do ano. “Até o momento não houve nenhum parecer do governo. Teve uma reunião em Brasília, em dezembro, mas ainda não há nenhum parecer sobre o processo. Nós estamos na expectativa para ver qual será a forma de intervenção do governo”, disse ele.
Como há uma proposta e o contato com o governo do Estado, hoje deve haver o fechamento de uma data para novas negociações. A perspectiva é que a próxima reunião aconteça já na próxima semana.
Em dezembro o MAB concluiu o relatório onde apontou algumas questões que constam no plano básico ambiental, nas condicionantes da licença prévia e na licença de instalação, mas que não estavam sendo cumpridas pela empresa responsável pela execução do projeto da Usina.
O documento foi encaminhado para órgãos como Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ministério do Meio Ambiente, Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Secretaria do Meio Ambiente do Estado.
Andamento
Na avaliação de Zancanaro, alguns pontos vistos como secundários e que não são de relevância econômica avançaram. “Nas questões que mexem com o econômico há dificuldade”, disse. Ele emendou que o estudo socioeconômico da obra foi feito em 2003, contudo “de lá para cá não houve nenhum reajuste”.
Como nem a situação dos moradores do canteiro de obras foi resolvida, o coordenador do MAB disse que os atingidos temem que este problema também se estenda às demais famílias atingidas.
Execução da obra
Segundo o membro da coordenação regional do MAB, a execução da obra está em pleno funcionamento. Além disso, ele falou que há informações de que está até adiantada.
Fonte: Diário do Sudoeste
Marcelo Coan
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