No dia 15 de fevereiro, ocorreu o seminário regional de Políticas Públicas para a agroecologia. O evento foi promovido pela Assesoar e teve a participação de cerca de 80 pessoas (agricultores e agricultoras agroecológicos, profissionais das ciências agrárias, legisladores municipais e outros convidados) de vários municípios do sudoeste do Paraná.

Em um primeiro momento, a conversa foi sobre experiências de cultivo nas Unidades de Produção e Vida Familiar – UPVFs (leia alguns depoimentos abaixo), como o uso de caldas alternativas na melhora da produção, preparo da terra, cultivos que se desenvolveram melhor ou não em determinadas condições , a vantagem do uso das tecnologias ecológicas (cisternas, silos secadores e agroflorestas – projeto Assesoar e IAF), alguns problemas que ocorreram durante o período 2011 e 2012 (como formigas, por exemplo), entre outras coisas.

Após o almoço ocorreu a segunda etapa do evento, na qual foi retomada a questão das leis orçamentárias, tratando da produção de riqueza no município por setor econômico. Foi o professor da UTFPR Almir Genoato quem conduziu o debate, e neste momento também foi levantado quem, dentre os participantes, já tinha estas informações em seu município.

Na sequência, vereadores de quatro municípios da região apresentaram o orçamento destinado para a agricultura em 2011, abrindo o debate em plenária após as falas. Entre os tópicos da discussão estavam a geração de riqueza e a forma como os recursos governamentais são destinados para os agricultores (o que é feito às claras e o que escondem).

Ao final do evento, foram levantadas formas de enfrentar os problemas percebidos e também foi construído um posicionamento coletivo sobre alguns aspectos da problemática, além de outras coisas.

 

Depoimentos dos agricultores sobre suas experiências de cultivo em 2011 e 2012:

Osvaldo (Ampére): “Quando implantamos a agrofloresta, não o fizemos na melhor lua e este é um cuidado que devemos ter nas próximas. Por conta disso, a brotação deu diferença entre uma agrofloresta e outra bem próxima.”

Paulo (Capanema): “A seca prejudicou as sementes consorciadas.  Fizemos uma experiência com a Crotalária como adubação verde, que deu certo e segurou a fertilidade do solo. No reflorestamento foi usado angico, e nesta terra foram plantados pés de banana. Essas cresceram o dobro das demais que não estão próximas aos pés de Angico.”

Luiz Fernando (Manfrinópolis): “Quanto à fertilidade do solo, seria bom fazer um planejamento (da área da Agrofloresta) e um ano ou dois antes colocar biomassa, adubação verde na área. Assim as plantas introduzidas viriam bem melhores e se desenvolveriam com uma diferença muito grande comparando com as da área que não foi tão preparada. A melancia não se desenvolveu na área de agrofloresta, os Caquis então morrendo, com uma mancha dentro do caule, morreram em torno de 30 pés. Precisa ver o enraizamento como desenvolveu. Se quebrar o caule ela começa a brotar. As outras plantas cresceram bem.”

Boas experiências de vários agricultores com Calda Sufocálcica, calda bordalesa e o uso de creme dental junto para evitar a ferrugem nas frutas e algumas doenças. A medida do creme dental é de um tubo (50gr) para cada 20 litros de água.

Jandir (Bom Jesus): “50% da área implantada tinha pioneira, o restante não. Dá para observar que onde tem a cobertura do solo, o desenvolvimento das plantas foi bem melhor e não teve ataque de insetos. Em contrapartida, na área onde o solo estava descoberto os insetos atacaram e o desenvolvimento das plantas não foi tão bom. Para um próximo projeto é importante tomar cuidado com as plantas que vem com raiz nua, essas se perderam bastante a exemplo do caqui. Esse foi um limite com essas mudas, que poderemos superar nos próximos pedidos”.

Loiri (Santo Antônio): teve problema com as formigas na agrofloresta, e só conseguiu controlá-las com Citromax.

Isaac (Dois Vizinhos): “A cisterna ajudou bastante na horta, para não diminuir a produção da feira e manter a quantidade de produtos comercializados”. A UPVF dele tem dois alqueires de terra e mais de 300 espécies plantadas.

Adir (Coronel Vivida): “O silo está praticamente pronto, e nós próximos dias esta inserindo milho ao mesmo, para a família foi um grande avanço, pois tinham dificuldades em armazenar. Tinha que levar em secadores, levavam milho crioulo e traziam de volta para UPVF, milho convencional ou transgênico, isso gerava um problema no consumo para os animais”

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