Texto: Valéria Korb

No dia 21 de outubro de 2011, aconteceu uma reunião na Escola Estadual da Comunidade do Canoas, que fica na fronteira dos Municípios de Boa Esperança do Iguaçu, Cruzeiro do Iguaçu e Dois Vizinhos. Esta contou com a participação dos pais, educadores, servidores e direção da escola, Núcleo Regional de Educação de Dois Vizinhos – NRE, UTFPR e ASSESOAR.

O objetivo da reunião foi discutir sobre o fechamento da escola. O NRE afirma que ela corre o risco de ser fechada pois não tem “clientela”, já que a escola municipal (que ficava no mesmo prédio) encerrou suas atividades no final de 2009 e as crianças foram levadas para a cidade. O Núcleo, contudo, alega não querer que a escola seja fechada. Atualmente a Canoas tem 26 educandos (e é importante lembrar que, de acordo com o Art. 28 LDB da Constituição brasleira, não existe um número mínimo de estudantes para que se mantenha uma escola funcionando).

Como argumentam os pais e professores, fechar as escolas do campo traz inúmeras consequências para o aprendizado das crianças e adolescentes, pois elas são obrigadas a passar horas no transporte escolar para chegarem até as escolas da cidade.

Como nos relata a mãe Paula Schmitz “ Tenho 2 filhos que vão completar 5 anos, atualmente estudam na Pré-escola do Colégio Municipal Clóvis Cunha Viana, que pertence ao município de Boa Esperança do Iguaçu. Eles ficam cerca de 3 horas no transporte escolar e isso é muito cansativo para eles, pois chegam em casa por volta das 19:00. Vamos lutar para que a escola Estadual não feche e que a municipal seja reaberta, pois assim meus filhos vão estudar aqui, a três quilômetros de casa, o que levará cerca de 15 minutos para virem. Eu estudei aqui e gostaria que meus filhos também estudem, é um direito nosso, a escola aqui é boa e mais próxima. Conhecemos as famílias e os professores isso me traz mais segurança”.

Além disso, os pais dizem que se a escola fechar a vida da comunidade também será tirada, pois uma comunidade sem escola não existe. Perdem-se os valores da convivência e da cooperação, os espaços de conversa, as festas e, incentiva a saída dos jovens do campo, pois passam a estudar na cidade e, aos poucos, vão perdendo as suas origens.

A defesa do Canoas foi composta por representantes dos pais, professores, UTFPR e ASSESOAR que, juntamente com o Núcleo de Educação darão sequência às negociações. No mesmo dia a comissão teve uma conversa com o Prefeito de Cruzeiro do Iguaçu, no intuito de reabrir a escola municipal e reorganizar o transporte escolar para que os educandos que residem próximos à comunidade estudem ali. Posteriormente, será solicitada uma reunião com os prefeitos dos municípios de Dois Vizinhos, Boa Esperança e Cruzeiro, juntamente com o Secretário Estadual de Educação para acordar a reorganização do transporte escolar e garantir a permanência da escola do Canoas.

Contexto: Canoas não está sozinha

Este é um trecho de post publicado na página online do MST. Ele nos dá uma ideia mais geral do problema, e nos mostra porquê devemos continuar lutando pela manutenção das escolas do campo:

“Fechar uma escola do campo significa privar milhares de jovens de seu direito à escolarização, à formação como cidadãos e ao ensino que contemple e se dê em sua realidade e como parte de sua cultura. Num país de milhares de analfabetos, impedir por motivos econômicos ou administrativos o acesso dos jovens à escola é, sim, um crime!”, denuncia o documento.

Entre 2002 e 2009, mais de 24 mil escolas do campo foram fechadas. Os dados do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, apontam que, no meio rural, existiam 107.432 escolas em 2002. Já em 2009, o número de estabelecimentos de ensino reduziu para 83.036.

 

 

 

 

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