Na manhã desta segunda-feira, dia 10 de outubro, avicultores de toda a região se reuniram na praça em frente à Igreja Matriz Imaculada Conceição, em Dois Vizinhos, em protesto contra a empresa Sadia/BRF. O intuito da manifestação foi dar visibilidade pública aos problemas que a classe diz sofrer há anos nas mãos da BRF, como o endividamento por causa dos investimentos obrigatórios, o baixo preço do frango pago ao produtor, e as constantes ameaças que sofrem por parte dos técnicos da empresa.
O protesto, que contou com cerca de 500 pessoas, aconteceu paralelamente a uma tentativa de negociação dos manifestantes, na pessoa do bispo Dom João (já que o movimento foi liderado por padres da igreja católica) com a BRF. Até agora nada foi decidido, e uma nova negociação ficou marcada para a próxima quinta-feira, dia 13.
Durante a manhã, vários manifestantes discursaram ao microfone, dizendo mensagens de apoio à causa e relatando as injustiças que vem sofrendo. O Pe. Deoclézio Wigineski, que tomou a frente do movimento, declarou que o pagamento feito aos avicultores pela Sadia é “desumano, injusto e falso”, e que a manifestação do dia de hoje ‘”justa e necessária” para que eles consigam conquistar seus direitos e uma vida digna.
Contexto
O protesto que ocorreu hoje em Dois Vizinhos é fruto de uma série de outras tentativas de negociação que vem ocorrendo desde o mẽs de agosto, para que a BRF atenda às reivindicações feitas pela classe avicultora do sudoeste. Em suma, o que os trabalhadores querem é vender as aves por um preço justo e ter melhores condições de trabalho. Confira a seguir os principais tópicos da pauta:
- Conversão: Modificar a fórmula de aplicação, devendo ser informada a cada avicultor a data do alojamento dos pintainhos, e qual é a conversão real que o produtor terá que atingir. A base de cálculo deve ser feita em três bases diferentes de peso.
- Renda: Que a renda dos lotes de frango seja de, no mínimo, R$ 0,35 por ave entregue à empresa Sadia/BRF, atingindo a conversão real estipulada no alojamento.
- Pagamento: Quanto ao sistema de pagamento, o pedido é o de voltar o que era antes, três dias úteis após a data do abate.
- Investimento: Rever a viabilidade e a possibilidade dos investimentos obrigatórios a serem feitos pelos avicultores.

11 Comentários
Boa noite, gostaria de deixar claro que sou Médico Veterinário e extensionista da empresa BRF, e também gostaria de saber em qual momento o extensionista usa de ameaça como métedo de trabalho para o seu avicultor?
“toda historia tem 3 versões. A minha, a sua e a real”.
autor desconhecido
Gostaria de esclarecer que as informações que constam nesse texto foram coletadas ontem por meio de depoimentos de avicultores, e pela pauta impressa redigida pelos líderes da manifestação. As reclamações quanto aos técnicos da empresa foram feitas repetidamente pelos manifestantes, e a legitimidade da informação é de total responsabilidade das fontes.
Alison, ou vc é novo na atividade, ou não sabe como as coisas acontecem nesse mundo da integração. Alias, sabe, mas entendo, vc deve ter seus motivos para manifestar-se assim. Falo com a experiência de minha familia (37 anos na atividade – em SC) e minha por um período. A pergunta é: como chegam todas as exigências da empresa até o agricultor, senão através dos técnicos? Eles discutem, por exemplo, formas de melhorar o contrato para garantir direitos e maior estabilidade ao agricultor ou apenas exigem que o contrato seja cumprido? Poderia fazer mil perguntas… Claro, nunca vi um técnico chegar com um revolver ameaçando, mas as empresas tem mil outras formas de pressionar e os técnicos são seus principais braços. Nada contra vcs, tenho amigos e parentes na atividade. Vcs só fazem parte da màquina que precisa de mudanças urgentes e a única forma é a organização e a luta dos trabalhadores e trabalhadoras.
E seu ‘josé’, pode ter certeza, nem a ‘minha’ nem a ‘sua’ versão tem tanto realismo quanto a ‘real’. Torço para que os agicultores encontrem força e coragem para enfrentar o gigante.
Antes de se fazer séries de exigencias por parte da empresa, devia se analisar a real situção financeira do produtor, a inovação deve existir ,mais com remuneração satisfatória para ambos os lados. Porque quem mantem essas Empresas em pé são os pequenos, médios e grandes produtores.Portanto vamos conserva-los e respeita-los.
Quem não está na atividade talvez não saiba as dificuldades dos avicultores,trabalhar dia e noite e nunca ter bons resultados,
além disso ser sempre o culpado dos maus resultados,talvez quando faltar frango no mercado alguém se de conta do que é produzir frango no vermelho.
Parabéns ao padre Deoclécio por engarjar-se na luta junto aos avicultores,pois dessa forma podemos acreditar que nem tudo está perdido,pois ainda existe solidariedade pois os avicultores também são seres humanos e merecem um pagamento justo e digno>
Então passando por aqui e vendo esse fórun não podia deixar de comentar o que tenho visto aqui por Goiás (embora esteja a pouco tempo aqui). Esta mesma empresa citada na reportagem, está agora por aqui, iludindo outras tantas familias, que irão agora continuar girando a máquina (uma vez que os sulistas estão caindo na real), todas tão iludidas, quanto essas tantas que participam desse levante contra a exacerbada exploração realizada no momento (espero que esteja enganada, mas me pareceu que o que estão querendo é só diminuir um pouco a exploração e não se libertarem dela). Mas em fim, essas empresas estudam muito antes de ter novas ações/regiões e aqui é a bola da vez, mta produção de materia prima (milho, soja), mão-de-obra barata, proximidade de grandes centros consumidores e bla bla bla. Então é isso pessoas GRITAR é bom talvez essas familias aqui ouçam e caiam na real logo.
Boa luta a tod@s – claro cada um na sua.
Ainda dizem que a escrsvidão acabou.A diferença agora é que brancos e negros são escravos de grandes empresas,que só importam-se com seus lucros se o avicultor está devendo em bancos o problema é dele,se está devendo paa aempresa aí sim o problema é dos dois.
aos extensionistas que se dizem alheios as ameaças que são feitas aos avicultores: como foi dito, eu nunca vi ninguém chegar com uma arma exigindo investimentos, mas a conversa é assim: “ou vc faz isso ou não vem pintinhos…, ou vc coloca tais equipamentos ou vc fica de gancho…, se vc não trocar o que estou mandando, seus resultados vão ser ainda menor… etc.” e o coitado que ja esta endividado sabe que se sofrer mais retalhações não tem como pagar o benco e perde sua propriedade para os bancos. e estas sao só algumas das formas de ameaças sofridas por técnicos da empresa. a luta é justa.
Venho analizando 1001 reclamações sobre a empresa de norte a sul do país, acredito que somente se unindo podemmos vencer.
Alguém sabe se existe algum orgão do governo que podemos oferecer denúnica para que alguma coisa seja feita. Os avicultores vemm sendo mmassacrados em todos os sentidos. Não tem legislação para que os frigorificos de aves tenham procedimentos padrões e transparencia nas informações para os integrados e limites para essas empresas solicitarem melhorias ?