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Encontro Regional de Mulheres: conquistas do passado, desafios do presente

Amaro 5 setembro 2017 0 Comentários

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Encontro Regional de Mulheres: conquistas do passado, desafios do presente

No dia 23 de agosto, na Assesoar em Francisco Beltrão, aconteceu o Encontro Regional de Mulheres, promovido pelas organizações regionais: UNICAFES, FETRAF, ASSESOAR, MAB, MST, INFOCOS, CRESOL e UNIOESTE. Este encontro contou com a participação de mais de 70 mulheres, representantes de vários municípios da região sudoeste do Paraná.

Este dia teve como objetivo principal o (re)encontro das mulheres que, na década de 1980 participaram das lutas sociais, e gerações mais novas, desenrolando-se em outros objetivos como retomar o trabalho regional de organização das mulheres. Para isso, teve-se foco as lutas, as conquistas, as atuais ameaças aos direitos e o papel das mulheres frente a um contexto de ascensão de práticas e pensamentos conservadores.

Para alcançar o objetivo, o dia foi dividido em dois momentos: no primeiro momento, com o apoio da professora Carolina Panis, aprofundou-se o debate sobre o uso dos agrotóxicos na região sudoeste e os impactos na saúde da mulher, destrinchando os dados atuais de incidência de câncer de mama e outras enfermidades as mulheres do campo.

Com sua fala inicial, Carolina, reconhecendo que o tema do câncer é preocupação cotidiana das mulheres do campo, apontou que, ao contrário do senso comum onde o maior contato é através da respiração,vo contato com agrotóxicos ocorre principalmente na pele.

A gente tá la no campo, no sol, e vê a pessoa com aquela mascara no rosto mas sem camisa, sem proteção nos braços, as vezes até de bermuda

A partir dessa fala, a médica, que desenvolve um trabalho em conjunto com outros professores da UNIOESTE no mapeamento e rastreamento das causas de novos casos de câncer com agricultoras(es), apresentou um comparativo, entre os números de casos brasileiros e a realidade dos municípios da região sudoeste paranaense, demonstrando uma disparidade preocupante para a quantidade de uso de agrotóxicos na região.

Essa disparidade se manifesta, segundo Carolina, nos diferentes casos de câncer com os trabalhadores e trabalhadoras do campo. Para ela, o pior pode estar no “lastro” em que os agrotóxicos podem deixar durante muito tempo

As roupas, quando utiliza-se os agrotóxicos, devem ser lavadas separadamente. Imagina se misturarmos com as roupas de um recém-nascido? De uma criança? Também devemos nos atentar com o silêncio em que o câncer se desenvolve. Os exames depois dos 35 anos podem ser feitos no Centro de Oncologia em Francisco Beltrão (CEONC).

Ao fim de sua exposição, com indagações das participantes, ela reforçou a potência dos alimentos produzidos sem agrotóxicos como caminho na diminuição do casos de câncer.

Na sequencia da manhã, realizou-se uma análise da conjuntura atual, destacando os principais motivos do golpe e suas consequências para a classe trabalhadora, da qual as mulheres são parte. O educador popular Ricardo Callegari, contribuiu no debate para compreender qual estão sendo os instrumentos de aprofundamento na retirada dos direitos das trabalhadoras e trabalhadores.

O golpe teve forte adesão e ‘patrocínio’ das organizações patronais empresarial e ruralista. Estas organizações passaram a impor uma agenda de (contra) reformas que punirá muito os trabalhadores do campo e da cidade. São elas: A PEC do teto de gastos; a reforma da previdência e a reforma trabalhista.

Para resistirmos e enfrentarmos estes ataques, é fundamental a construção unitária de lutas; de um projeto popular de sociedade e o fortalecimento de um instrumento de luta.

Com o panorama exposto e debatido minimamente, fez-se importante demonstrar historicamente que, a partir da organização, os direitos sociais serão garantidos e o caminho para avançar em outros será trilhado.

Iniciando o período da tarde, Felipe Grisa, pegando o gancho das exposições anteriores feitas por Carolina e Ricardo, apresentou o projeto proposto pelo Fórum Regional de Organizações da Cidade e do Campo, denominado de Plataforma da Comida Saudável. Tal projeto busca articular o debate político em torno da alimentação, avançando para a construção de uma proposta de desenvolvimento regional. Assim, a partir desta plataforma, o Agrônomo provocou em sua fala a necessidade de homens e mulheres, trabalhadores do campo e da cidade, debater e propor que sudoeste e que país queremos construir.

Após, com pequenos debates realizados em grupos de trabalho, deu-se importância para um resgate das maneiras em que as mulheres organizavam-se para fazer valer sua voz e seus desejos por uma sociedade menos desigual. As experiências partilhadas nutriram este momento dos grupos de se pensar quais são os lugares e o níveis para se ter atenção no trabalho cotidiano, as principais urgências a ser debatidas e a periodicidade dos próximos encontros. Essas inquietações foram fundamentais para avançar na melhoria de propostas entre todas presentes. Ao fim, encaminhamentos de ordem formativa, de articulação, ampliação e promoção de mais debates foram elevados como necessários neste momento.

Neste dia contou-se também: Com a premiação do projeto da Unicafes, Cultivando Sabores da Roça, que avaliou as melhores receitas; com o belíssimo trabalho desenvolvido pelo MAB com as arpilleras; o trabalho de resgate e cultivo de plantas medicinais desenvolvido pelo Grupo de mulheres do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Francisco Beltrão e o importante trabalho de apoio jurídico e educativo para as mulheres realizado pela Unioeste, chamado “nem uma a menos”.

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